Esta nave espacial, em que estão embarcados quase 7 mil milhões de pessoas, 25% viajam em primeira classe e os restantes no porão. Gente a mais. A pressão demográfica está na base de quantos males assaltam o planeta. Se em Portugal, em vez de quase 11 milhões de pessoas, apenas tivéssemos metade, o problema da habitação quase não existiria. Muitos outros, de carácter ambiental, seriam bem menores. Este planeta cada vez mais frágil repleto de desigualdades cruéis é a herança que deixamos às gerações vindouras. Estas terão de adoptar um desenvolvimento mais sustentável, conceito este, desconhecido por alguns humanos sem escrúpulos e ávidos de ganância por um crescimento económico elevado sem olhar a meios.
Num planeta saturado de gente, a felicidade de impedir que uma criança morra pagar-se-á necessariamente com a obrigação de impedir uma criança de nascer. Procriar, que desde a origem do homem se tinha imposto como um dever absoluto, tornar-se-á um direito fortemente controlado. A bem de todos, mesmo dos que poderão nascer.





